MÓDULO 1.6

🔄 Ciclo de Desenvolvimento com IA

O workflow EPIV — Explore, Plan, Implement, Verify. O processo estruturado que transforma vibe coding de caótico em sistemático, com branches, incrementos testáveis e documentação automática.

7
Tópicos
30
Minutos
Básico
Nível
Workflow
Tipo
1

🗺️ O workflow EPIV

O maior problema do vibe coding não é a qualidade do código gerado — é a falta de processo. Sem estrutura, as sessões se tornam caóticas: a IA muda coisas que não deveria, você perde o fio da meada, arquivos ficam inconsistentes. O EPIV (Explore, Plan, Implement, Verify) resolve isso com um workflow deliberado de 4 fases.

🔄 As 4 fases do EPIV

🔍
E
Explore
Entenda antes de modificar
📋
P
Plan
Planeje antes de executar
⚙️
I
Implement
Execute em partes testáveis
V
Verify
Valide antes de aceitar

📊 Por que um workflow importa

Times que adotam um workflow estruturado para vibe coding reportam:

  • 70% menos retrabalho causado por mudanças não intencionais
  • 3x menos bugs chegando à branch principal
  • Histórico de git compreensível — qualquer membro do time entende o que foi feito
  • Onboarding mais rápido — novos membros entendem o projeto pela documentação gerada pelo agente
2

🔍 Fase Explore — entenda antes de mudar

Antes de qualquer modificação, instrua o agente a entender o codebase sem modificar nada. Essa fase é especialmente crítica em projetos existentes, mas essencial mesmo em projetos novos maiores de 3 arquivos. O agente que entende o contexto gera código mais consistente.

📝 Prompts de Explore (sem modificar código)

"Leia os arquivos do projeto e me explique: qual é a arquitetura atual? Quais são os principais componentes? Como os dados fluem? Não modifique nada ainda."
"Analise @components/ e me diga quais padrões de componentes estão sendo usados (props, estado, hooks). Apenas análise, sem código."
"Onde no codebase atual faria mais sentido adicionar a funcionalidade de X? Quais arquivos seriam afetados? Não implemente ainda."

O que você ganha com Explore

  • Entendimento do que já existe antes de duplicar
  • Identificação de onde adicionar sem quebrar
  • Mapeamento de dependências ocultas
  • Padrões existentes para o agente replicar

💡 Dica: o modo exploração

No início de cada sessão com um projeto existente, sempre comece com: "Quais foram as últimas mudanças feitas nesse projeto? Onde estava sendo desenvolvido?" O agente vai ler o histórico do git e reconstruir o contexto da sessão anterior.

3

📋 Fase Plan — planeje antes de escrever

O erro mais caro em vibe coding: deixar a IA implementar sem ter um plano aprovado. A fase Plan força o agente a pensar antes de escrever. Você revisa o plano, identifica problemas na abordagem, e só então dá o sinal verde.

📝 O prompt de planejamento

"Antes de escrever qualquer código, me dê um plano detalhado de como você implementaria [feature]:
1. Quais arquivos serão criados ou modificados?
2. Qual será a estrutura de dados?
3. Qual a sequência de implementação?
4. Quais dependências externas serão necessárias?
5. Quais são os possíveis pontos de falha?
Aguarde minha aprovação antes de implementar."

📊 O que revisar no plano

  • A abordagem faz sentido? A IA pode propor uma solução tecnicamente correta mas desnecessariamente complexa para o seu contexto
  • Arquivos corretos? Às vezes a IA planeja modificar arquivos que você prefere não tocar
  • Dependências esperadas? Se o plano inclui instalar 5 novos pacotes para algo simples, há algo errado

💡 "Aguarde aprovação" como instrução padrão

Adicione "aguarde minha aprovação" em todo pedido de planejamento. Isso impede que o agente, em alguns editores, comece a implementar enquanto ainda está planejando. A separação entre plano e execução é o coração do EPIV.

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⚙️ Fase Implement — execução em partes testáveis

Com o plano aprovado, a implementação começa — mas ainda em partes. A regra da fase Implement: cada passo deve ser testável antes de avançar para o próximo. Não implemente tudo de uma vez, mesmo que o plano cubra a feature completa.

✗ Implement errado

"Implemente todos os 5 passos do plano de uma vez"

Resultado: Uma PR gigante com 30 arquivos alterados. Um bug em qualquer parte é difícil de localizar. Testes falham por razões desconhecidas. Rollback é impossível sem perder tudo.

✓ Implement correto

"Implemente apenas o passo 1 do plano. Vou testar e confirmar antes de continuar."

Resultado: Cada passo é verificável. Bugs são isolados. Commits são pequenos e descritivos. Rollback de qualquer passo é simples.

🔧 Controle de escopo durante a implementação

Durante a implementação, o agente frequentemente "ajuda" além do pedido — refatora código não relacionado, adiciona features não solicitadas, reorganiza arquivos. Use essas instruções para manter o escopo:

"Implemente apenas o que está no passo 1. Se perceber algo que poderia melhorar em outros arquivos, anote mas não altere."
"Não refatore nada que não seja necessário para essa implementação específica."

💡 A granularidade ideal de um passo

Um bom passo de implementação pode ser testado em menos de 5 minutos. Se levar mais de 10 minutos para testar, o passo está grande demais. Divida. A granularidade fina pode parecer lenta, mas elimina o tempo gasto em debugging de múltiplos problemas sobrepostos.

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✅ Fase Verify — valide antes de aceitar

A fase Verify é onde o julgamento humano é insubstituível. O agente pode ter gerado código que compila, passa nos testes e parece correto — mas que tem comportamento indesejado em edge cases, viola requisitos de negócio ou introduz vulnerabilidades. Verificar é diferente de testar.

1

Verificação funcional

O básico — "funciona?"

Abra o browser, execute o fluxo completo do usuário, clique em cada botão, preencha cada formulário. Não se baseie apenas em "compilou sem erro".

2

Verificação de edge cases

O que acontece quando algo dá errado?

Teste com dados vazios, dados inválidos, campos com caracteres especiais, conexão lenta (simule no DevTools). O agente raramente implementa tratamento de erro adequado sem ser explicitamente pedido.

3

Verificação de regressão

O que estava funcionando ainda funciona?

Teste as funcionalidades que existiam antes da mudança. O agente pode ter quebrado algo não relacionado ao mexer em arquivos compartilhados (utils, hooks, stores).

💡 Peça ao agente para criar o checklist de verificação

Antes de implementar, peça: "Qual seria o checklist de verificação que eu deveria usar para confirmar que esse passo funcionou corretamente?". O agente vai listar os casos de teste relevantes — então use essa lista na fase Verify.

6

🌿 Branches para cada feature

Uma das regras mais importantes do vibe coding profissional: nunca vibe code diretamente na branch main. Cada feature, cada experimento, cada refatoração significativa começa em uma branch dedicada. Isso permite descartar trabalho problemático sem conseqüências.

🌿 Workflow de branches para vibe coding

# Início de uma feature
git checkout -b feat/sistema-de-habitos
# Commits ao longo da implementação
git commit -m "feat: formulário de criação de hábito"
git commit -m "feat: lista de hábitos com filtro"
# Quando aprovado e testado
git checkout main
git merge feat/sistema-de-habitos
# Se a feature não funcionou como esperado
git checkout main
git branch -D feat/sistema-de-habitos
# Começa de novo sem prejuízo na main

⚠️ O risco de codificar na main

Vibe coding na main sem branches é como fazer experimentos químicos sem óculos de proteção — geralmente fica tudo bem, até o dia que não fica. Quando a IA faz uma mudança que quebra tudo e você não tem commit anterior nem branch de segurança, a única saída pode ser reescrever.

Regra prática: Se você não se sente à vontade para descartar tudo que foi feito nos últimos 30 minutos, você está atrasado em criar uma branch.

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📄 Documentação automática

Um dos maiores benefícios subutilizados do vibe coding: pedir ao agente que documente o que fez e por quê. Documentação gerada pela IA é mais fácil de manter, mais consistente em estilo e — surpreendentemente — muitas vezes mais clara do que a escrita por humanos sob pressão de deadline.

📝 Prompts de documentação por tipo

Para funções e componentes:

"Adicione JSDoc a todas as funções nesse arquivo, incluindo @param, @returns e um exemplo de uso"

Para decisões de arquitetura:

"Crie um arquivo DECISIONS.md explicando por que escolhemos [abordagem] ao invés de [alternativa] para esse problema"

Para o CLAUDE.md / .cursorrules:

"Com base no código atual, atualize o CLAUDE.md com os padrões que você observou sendo usados no projeto"

Para README:

"Gere um README.md completo para esse projeto: o que é, como instalar, como usar, e quais são as variáveis de ambiente necessárias"

💡 Documentação como parte do Definition of Done

Inclua no seu processo: uma feature só está "pronta" quando a documentação está atualizada. Como o agente escreve documentação rapidamente, esse critério extra adiciona quase zero tempo ao processo — mas transforma projetos vibe coding de caixas-pretas em projetos mantíveis.

Resumo do Módulo 1.6

EPIV: Explore → Plan → Implement → Verify — o workflow que transforma vibe coding caótico em sistemático
Explore sem modificar — instrua explicitamente o agente a entender antes de alterar
Plano aprovado antes de qualquer código — elimina 90% do retrabalho por abordagem errada
Implementação em partes testáveis — cada passo verificável antes do próximo
Branches para cada feature — nunca vibe code direto na main
Documentação automática como parte do processo — feature só está pronta com documentação atualizada

Próximo Módulo:

1.7 — 🔐 Controle, Qualidade e Segurança Básica — os riscos reais do código gerado por IA e como mitigá-los